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Arquivo Judiciário promove evento que destaca a consciência negra

O 20 Novembro foi escolhido para reflexão sobre a força, a resistência e a luta do negro. É o Dia da Consciência Negra ou Dia de Zumbi, data que homenageia o líder do Quilombo dos Palmares. Para marcar refletir sobre o Dia da Consciência Negra, o Arquivo Judiciário realizou, nesta sexta-feira, dia 19/11, uma programação com contou com palestra, exposição de documentos históricos, além da apresentação do grupo de dança "Um Quê de Negritude". Os alunos da Escola Estadual Joaquim Vieira Sobral foram convidados para conhecerem o Arquivo Judiciário, os documentos expostos e acompanharem a palestra "A História e Trajetória do Quilombola João Mulungu". Firmino da Silva, aluno do 2º ano, falou sobre a experiência de conhecer mais sobre a história do movimento negro no Brasil. “Hoje eu aprendi quem é João Mulungu. Antes de virmos para o Arquivo, nós conversávamos, na aula de Filosofia, sobre a importância da pessoa negra e a história da pessoa negra em nosso país. Saber o que aconteceu e o que ainda vem acontecendo em nosso país, situação de escravidão, de racismo, é importante para que, a gente, estudante, saiba o que não pode mais acontecer”, afirmou Firmino, relatando, ainda, ter presenciado uma situação de racismo cuja vítima era um colega de escola. “Ele está aqui hoje e é bom para que ele saiba a importância e o valor dele para a sociedade”. Outros estudantes relataram, durante o evento, situações de racismo vivenciadas cotidianamente no ambiente escolar. “Eu tive uma amiga que dentro de sala de aula foi chamada de ‘boneca de vodu’. Na hora, me subiu uma raiva, uma indignação, inclusive, porque a agressão veio de alguém da mesma cor. Acredito que conhecer histórias como a de João Mulungu nos ajudam com essas situações, aprendemos a ter respeito pelos outros”, comentou Yarithsa Leandra, aluna do 2º ano. A palestra foi preferida pelo professor Igor Fonseca de Oliveira, Doutor em História e Professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia AfroBrasileira (UNILAB). “João Mulungu foi um escravizado sergipano, nascido em Itabaiana, que na segunda metade do século XIX, em 1870, comandou uma série de escravizados que buscavam a liberdade no ambiente que nós chamamos de quilombo. João Mulungu é uma espécie de líder, que coordenava as ações dessas populações e a busca por melhores condições de vida nas matas do Vale do Cotinguiba, em Sergipe”, explicou o professor Igor. “A identificação do movimento negro com João Mulungu é desde o nascimento do movimento em Sergipe, ele é um ícone, um herói sergipano. Se o movimento negro nacional desenvolve atividades a partir de Zumbi, o movimento negro sergipano é a partir de João Mulungu”, completou ele, pontuando que a ação do Arquivo permite que as discussões acadêmicas cheguem ao ambiente escolar e também a disseminação de informações sobre as populações negras em Sergipe. Na exposição Liberdade, Justiça e Igualdade, os visitantes puderam conferir um documento datado de 1886, o qual contém uma lista de escravos libertos pela Lei do Sexagenário, bem como os ofícios da época que foram encaminhados aos senhores de escravos para cumprimento do Decreto nº 9517, de 1885 e da referida lei. Também um documento, datado de 1885, expondo a denúncia, contra o senhor de escravo José Carlos Oliveira, vinda de uma mulher escravizada de nome Vicência, que estando doente, estava em situação de abandono. Em outro documento, de 1887, consta a relação de escravos libertos e suas respectivas profissões. “No Arquivo, nós temos guardada toda a memória do Poder Judiciário e a atual gestão, sob a presidência do Des. Edson Ulisses, visa levar ao conhecimento da sociedade as atividades do Arquivo e buscamos fomentar nos estudantes esse conhecimento e o interesse pela história de Sergipe e do Poder Judiciário. Na exposição há a mostra de toda a documentação que está guardada no Arquivo acerca da escravidão e Sergipe”, salientou a Diretora do Arquivo, Mônica Porto. "O aprendizado também acontece fora da escola. Eu costumo dizer que fora dos muros da escola a gente pode aprender até mais. Em eventos como esse é possível expandir o conhecimento dos alunos, especialmente, porque se trata da história de um conterrâneo nosso. Muito gratificante e esperamos ter sempre esse espaço de conhecimento aberto aos nossos estudantes", refletiu Josinete Rodrigues Campos, secretária da Escola Estadual Joaquim Vieira Sobral. O grupo de dança "Um Quê de Negritude", formado por alunos do Colégio Estadual Atheneu Sergipense fez uma apresentação. O grupo foi criado no ano de 2007 com o objetivo de trabalhar a Lei 10.639/2003, lei que disciplina o ensino da cultura afro dentro da escola; e a Lei 11.645/2008, que dispõe sobre o ensino da cultura indígena. “Desde a criação do projeto, a autoestima dos alunos cresceu bastante. Eles passaram a assumir mais a sua identidade, o seu cabelo, a sua cor. A apresentação aborda o Movimento da Resistência, no qual eles mostram, através da dança, o momento em que o negro foi escravizado e a resistência; aborda também Nanã que é uma das ancestralidades; Pérola Negra, que é uma exaltação ao negro”, detalhou a professora de Português, Redação e Literatura, Clélia Ramos.
19/11/2021 (00:00)

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